O Papel do Farmacêutico em Oncologia

Texto: Julia Binatti e Luciane Hypólito

A prestação da assistência ao paciente oncológico inclui várias especialidades integradas, dentre as quais podemos citar os serviços de diagnóstico, cirurgia oncológica, oncologia clínica, radioterapia, medidas de suporte (nutricional, psicológico), reabilitação (fisioterapia, fonoaudiologia) e cuidados paliativos. Para que o atendimento integral a esse paciente seja eficiente, se faz necessária a integração e reciprocidade entre esta equipe multidisciplinar, onde cada profissional contribui com suas habilidades.

Nesse contexto, o profissional farmacêutico se apresenta como ferramenta essencial ao tratamento farmacoterapêutico em oncologia. Sua função excede a simples dispensação da prescrição médica, é um preditivo da qualidade da assistência ao paciente oncológico. Sua atuação é importante em várias etapas da terapia antineoplásica, devendo participar das reuniões da equipe multidisciplinar em oncologia, auxiliando na padronização de medicamentos e esquemas terapêuticos tanto para medidas de suporte quanto para o tratamento das doenças antineoplásicas. Com base nesses protocolos, compete a esse profissional a seleção dos medicamentos e materiais por meio da verificação do cumprimento das exigências legais pelo fornecedor e da avaliação técnica dos produtos, sendo ainda responsável pela notificação de desvios de qualidade aos órgãos reguladores. O armazenamento dos medicamentos é outra etapa crítica onde a presença desse profissional se faz indispensável. É necessária a elaboração de procedimentos escritos de todos os processos (da aquisição à dispensação dos medicamentos) além de treinamento e reciclagem da equipe de farmácia para que sejam asseguradas a qualidade dos medicamentos antineoplásicos e a minimização dos riscos de exposição ocupacional a esses agentes. O farmacêutico também é o responsável por analisar os fatores para modificações da área física de acordo com as necessidades operacionais e normas estabelecidas pelos órgãos de vigilância sanitária locais.

Um tratamento efetivo é o objetivo da atuação desse profissional durante a dispensação da prescrição médica, por meio da identificação dos dados do paciente e checagem da correspondência das doses e dia de administração ao protocolo de tratamento, avaliação dos componentes quanto à quantidade, compatibilidade, estabilidade e interações. As vias de administração, diluente, tempo, velocidade e esquema de infusão devem estar consistentes com os protocolos estabelecidos. Dessa forma, o farmacêutico, como parte da equipe multidisciplinar, é fundamental na identificação de erros relacionados à medicação, na sua prevenção e no auxílio à sua resolução.

O fornecimento de informações sobre o medicamento é essencial tanto para os profissionais de saúde quanto para os pacientes. A assistência farmacêutica no processo de comunicação fornece aos demais profissionais informações sobre farmacocinética e farmacodinâmica, doses usuais, forma de administração, doses máximas, toxicidade acumulativa, incompatibilidades físicas e químicas dos medicamentos. Para os pacientes é fundamental esclarecer que atualmente existe um amplo espectro de opções terapêuticas empregadas na prevenção e minimização dos principais sintomas que ocorrem após a quimioterapia, contudo é imprescindível que orientações diferenciadas sejam dadas para que se obtenha o melhor resultado dentro da posologia prescrita. Informações acerca de cada medicamento administrado antes e depois da quimioterapia, sua indicação no combate dos sintomas, ressaltando a importância do cumprimento dos horários de tomada (ex. medicamentos prescritos para os dias anteriores e/ou subseqüentes), bem como a correlação com os hábitos alimentares e ingesta hídrica são fundamentais para prevenir ou reduzir os efeitos adversos decorrentes da quimioterapia antineoplásica.
Assim como esclarecer que em alguns casos (como náusea e dor) embora os sintomas tenham diminuído, se a dose seguinte não for tomada dentro do horário e posologia prescrita as reações ocorrerão novamente e o tempo de resposta de ação do medicamento será mais longo. Situações como estas denotam a importância do esclarecimento e da informação como formas de tornar a prevenção de efeitos adversos mais eficaz, orientando e incentivando os pacientes não só à adesão ao tratamento, mas também à observação e identificação suas respostas fisiológicas, o que fará com que seus relatos ao médico e equipe sejam mais precisos, facilitando assim o manejo quando não houver boa resposta no primeiro plano terapêutico de prevenção de efeitos adversos. Além disto, observar e identificar o perfil emocional deste paciente junto à equipe pode ser de grande valia, uma vez que pacientes ansiosos, deprimidos ou com diagnósticos psiquiátricos anteriores podem ter dificuldade de verbalizar de forma clara e coerente suas reações, o que pode dificultar o manejo das mesmas.

No que diz respeito ao preparo dos medicamentos antineoplásicos, este deve ser realizado com técnica asséptica, em ambiente com infra-estrutura apropriada segundo as normas locais e padrões internacionais, seguindo os procedimentos pré-estabelecidos sob responsabilidade do farmacêutico. A ação desse profissional nessa etapa da terapia antineoplásica é fundamental para diminuir os riscos associados ao manejo desses medicamentos além de prevenir erros como seleção errônea do diluente, agitação de maneira imprópria, temperatura inapropriada durante o preparo, condições essas que podem levar à formação de precipitados ou espuma, redução da potência, estabilidade e qualidade da preparação. A temperatura de armazenamento dos medicamentos reconstituídos e diluídos assim como o período de validade da solução pode variar de acordo com o diluente. Deve ser estabelecida rotina de manuseio de quimioterápico orais.Todas essas variáveis devem ser avaliadas pelo farmacêutico para prevenir perdas, contaminação do manipulador, superdosagem acidental ou troca da medicação e manter a qualidade do tratamento fornecido ao paciente oncológico, ao mesmo tempo resguardar a instituição de saúde principalmente devido ao alto custo dos medicamentos antineoplásicos.

O transporte seguro dos medicamentos antineoplásicos da central de preparo até a administração no paciente deve ser assegurado por esse profissional, assim como a confecção do rótulo de identificação para cada medicamento com o nome do paciente, dose de cada medicamento, volume respectivo aspirado, diluente e volume de diluição, recomendações quanto à estabilidade e particularidades na administração.

O destino seguro dos resíduos provenientes dos medicamentos antineoplásicos também é responsabilidade do farmacêutico em conjunto com os demais profissionais de saúde, sendo peça fundamental na elaboração das rotinas de recolhimento, segregação e destinação dos resíduos bem como no treinamento dos funcionários envolvidos e na verificação da conformidade das empresas responsáveis pelo tratamento e disposição final dos resíduos com as normas vigentes de licenciamento ambiental.

A multidisciplinariedade da oncologia associada às crescentes inovações exige de cada profissional uma postura interdisciplinar, uma vez que o ser humano não pode ser entendido como a soma de suas partes e sim dentro de uma visão integral. Para o sucesso do tratamento em oncologia, o objetivo principal deve ser o paciente, com a contribuição de cada profissional através de estratégias elaboradas em equipe como o desenvolvimento de protocolos, rastreamento dos processos e, assim, garantir a qualidade do tratamento, baseando na educação contínua e confiança entre as especialidades. Nesse contexto, farmacêutico deve ser entendido como um profissional que acrescenta à equipe multidisciplinar em oncologia, pois cada vez mais está presente nos processos trazendo projetos de melhoria e inovação.

 

https://www.youtube.com/watch?v=aOV31kF3LI0

Centro de Combate ao Câncer – Os cuidados com os tratamentos complementares

EUA lança maior teste clínico de medicina de precisão

O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI, na sigla em inglês) lançou, em junho, um amplo teste clínico para tratar a doença em função das mutações específicas do tumor e não segundo o tipo de câncer, uma iniciativa sem precedentes na chamada medicina de precisão.

Esta abordagem consiste em identificar as anomalias moleculares dos cânceres para determinar os tratamentos mais eficazes para cada paciente.

Desta forma, uma pessoa com câncer de pulmão pode ser tratada com um medicamento usado para tratar outra forma de câncer, como o de mama, com o qual seu tumor compartilhe uma mutação similar contra a qual este tratamento é eficaz.

O projeto integra a iniciativa do presidente Barack Obama, anunciada em janeiro, em seu discurso sobre o estado da União, de aproveitar os avanços nos últimos dez anos e o potencial da medicina de precisão.Saúde e Cuidados Pessoais: alta de 0,91% com impacto de 0,10 ponto percentual

Esta abordagem permitirá conceber e realizar testes clínicos que levarão muito menos tempo e serão mais específicos para tratar os mais de 200 tumores diferentes existentes.

“Trata-se do teste clínico mais amplo e rigoroso da história em oncologia de precisão”, afirmou o doutor James Doroshow, diretor-adjunto do NCI, durante coletiva de imprensa celebrada à margem da conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), celebrada em Chicago desde a sexta-feira.

Este teste clínico, denominado NCI-MATCH, se baseia nos esforços para compreender como as anomalias genéticas do tumor respondem às terapias de precisão e não mais o próprio câncer em função do órgão afetado, explicou.

Segundo Doug Lowy, diretor interino do NCI, “este teste clínico tem o potencial de transformar os tratamentos do câncer”.

Cerca de três mil pacientes serão selecionados a partir de julho para o teste em 2.400 localidades dos Estados Unidos para identificar 1.000 que respondam aos critérios procurados.

Serão testados uns 20 tratamentos específicos, que serão fornecidos gratuitamente por laboratórios farmacêuticos que participarem do estudo.

Os pesquisadores usarão um simples teste de DNA, que permitirá identificar 143 mutações genéticas nos tumores de pacientes com câncer e que podem ser tratados de forma específica com medicamentos já comercializados ou experimentais.

O teste determinará se os tratamentos são promissores em função da taxa de resposta dos doentes e do período durante o qual o tumor parar de avançar.

 

EUA lança maior teste clínico de medicina de precisão

http://www.cancer.gov/news-events/cancer-currents-blog/2015/precision-medicine-initiative-2016

Aprovado novo medicamento para o Câncer de Pâncreas

Medicação desenvolvida com a participação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre foi aprovada pelo FDA

Um novo medicamento está disponível para pacientes vítimas de um dos mais letais tipos de câncer. O FDA, órgão que controla os medicamentos nos Estados Unidos, aprovou a utilização do MM-398 em câncer de pâncreas. O Onivyde (nome comercial do remédio) teve como base um estudo clínico internacional que incluiu também pacientes do Serviço de Oncologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e será publicado pela revista The Lancet, uma das mais respeitadas no mundo da ciência.

O chefe do Serviço de Oncologia do HCPA e um dos autores da pesquisa, professor Gilberto Schwartsmann, explica que a combinação do novo medicamento com a droga usualmente utilizada duplicou o número de pacientes vivos com o tratamento. “Em um período de 12 semanas, por exemplo, 57% dos pacientes que foram tratados com a nova combinação estavam vivos e apresentavam bons resultados, contra apenas 26% dos que receberam somente o medicamento usado até então”, ressalta. Estes resultados foram ainda melhores no grupo de pacientes que recebeu ao menos 80% da dose planejada do tratamento.

Segundo Schwartsmann, o medicamento explora princípios da nanotecnologia e de técnicas de administração de drogas em lipossomas.“Trata-se de uma atuação mais direcionada, o que permite que quantidades maiores do medicamento possam chegar ao tumor com menor exposição dos demais tecidos. Isto aumenta a eficácia e reduz o risco de efeitos tóxicos”, salienta.

Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pâncreas corresponde a 2% dos tumores malignos que atingem a população brasileira, sendo responsável por 4% das mortes por câncer no país. Entre as vítimas fatais internacionalmente conhecidas da doença está o fundador da Apple, Steve Jobs.

Atenção: O remédio deve começar a ser vendido nas próximas semanas nos Estados Unidos, mas no Brasil não há prazo para entrar nas prateleiras, já que a substância ainda não foi encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

http://www.hcpa.edu.br/content/view/7564/927/

IV Semana Nacional do Cérebro – Brain Awareness Week

 

ESPERAMOS VOCÊS NA SEMANA DE 22 A 27 DE MARÇO DE 2015.

 LEVE O MATE E FAÇA PARTE DESSA AVENTURA!

NO DOMINGO É NO BRIQUE DA REDENÇÃO!

Exposição de maquetes e peças neuroanatômicas, posters, jogos, testes cognitivos para todas as idades.
DATA: 22/03/2015
HORÁRIO: 10h às 17h

LOCAL: Parque Farroupilha, em frente ao Brique, na altura da Rua Vieira de Castro (Box 9)

 DURANTE A SEMANA É NA REITORIA DA UFRGS!

Palestras, exibição de filme, debates e mesa-redonda
DATA: 2ª A 6ª-FEIRA, 23 A 27/03/2015
HORÁRIO: 18h às 22h
LOCAL: Plenarinho
Saguão térreo do prédio da Reitoria da UFRGS – Campus central
Rua Paulo Gama, 110 – Bairro Farroupilha – Porto Alegre

Cartaz SNC2015

ALLE Pharma em evento na China

Dra. Alice Viana, diretora da ALLE Pharma irá palestrar no 11th Annual Congress of International Drug Discovery Science & Technology, que será realizado entre os dias 13 e 16 de novembro, em Haikou na ilha de Hainan, localizada no Sul da China.

Dra. Alice irá apresentar pesquisas sobre cistite e doenças inflamatórias intestinais e a busca por novos medicamentos para essas patologias.

O evento é um dos mais importantes encontros da Ásia na área da saúde. Estão na programação do evento palestras com Prêmios Nobel da área da saúde, como Bruce Beutler, Ei-ichi Negishi, Osamu Shimomura e Aaron Ciechanover. Em paralelo outros 15 outros congressos na área da saúde e tecnologia estarão sendo realizados.

http://www.pucrs.br/raiar/?p=not/2013/nov/dia6/raiar_china

 

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The journal NEURON is celebrating 25 years with open access papers

CELEBRATING 25 YEARS

Neuron is celebrating 25 years of publishing ground breaking neuroscience. We’d like to thank all of our readers, authors, and reviewers for their contributions over the years—we couldn’t have done it without you. Join us in looking back at the history of Neuron, considering the state of the field and where we’re going, and celebrating at this year’s Society for Neuroscience meeting!

Explore 25 Years of Exciting Neuroscience

Over the past six months, we’ve been taking a look back at some of our most influential papers. We’ve headed into the archives and picked a paper from each year that has strongly influenced the field. Take a look at the full collection on our anniversary page, and let us know what you think the most exciting discoveries of the past 25 years have been

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This special issue celebrates Neuron‘s 25th anniversary with a series of Perspectives that reflect on where the field has been and where we are going. The cover for this anniversary issue is inspired by the content that has made Neuronthe

premier forum for groundbreaking neuroscience research since 1988. The word cloud comprises the words that have appeared most frequently in titles of Neuron manuscripts over the past 25 years and is layered onto a mosaic of past Neuroncovers. We thank all the authors, readers, and reviewers who have contributed to the journal and made it successful and look forward to another 25 years of exciting neuroscience. Cover art by Adam Goldstein

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Cientistas criam ‘minicérebro humano’ em laboratório

minicerebro

Miniaturas de “cérebros humanos” foram desenvolvidos em laboratório por cientistas austríacos, em um feito que, segundo especialistas, pode transformar nossa compreensão sobre males neurológicos.

As estruturas criadas, que são do tamanho de ervilhas, alcançaram o mesmo nível de desenvolvimento de um feto de nove semanas, mas são incapazes de pensar.

Segundo os cientistas, que são do Instituto de Biotecnologia Molecular da Academia de Ciências Austríaca, elas reproduzem em laboratório algumas das etapas iniciais de desenvolvimento cerebral.

O cérebro humano é uma das estruturas mais complicadas existentes no universo. O estudo, publicado no periódico Nature, já foi usado para ampliar a compreensão a respeito de doenças raras.

Desenvolvimento

Os cientistas usaram células-tronco embrionárias ou células de pele adulta para produzir a parte do embrião que se torna o cérebro e a espinha dorsal – o ectoderma neural.

Essa parte foi colocada em gotículas minúsculas de gel, que permitiram que o tecido crescesse, e em um bio-reator giratório, que provê nutrientes e oxigênio.

As células puderam crescer e se organizar em diferentes partes do cérebro, como o córtex e uma versão inicial do hipocampo, bastante ligado à memória em um cérebro adulto plenamente desenvolvido.

Os pesquisadores creem que essa estrutura chega perto – ainda que não perfeitamente – do desenvolvimento inicial do cérebro fetal.

Os tecidos chegaram a seu tamanho máximo, cerca de 4mm, em dois meses.

Os “minicérebros” sobreviveram por quase um ano, mas não cresceram além disso. Eles não contavam com suprimento de sangue, apenas de tecido cerebral. Ou seja, nutrientes e oxigênio não puderam penetrar na estrutura.

“Nossos organóides servem para modelar o desenvolvimento do cérebro e para estudar qualquer coisa que cause defeitos nesse desenvolvimento”, explicou Juergen Knoblich, um dos pesquisadores.

Segundo ele, o objetivo é ampliar o conhecimento a respeito de distúrbios mais comuns, como a esquizofrenia e o autismo, partindo do princípio de que indícios deles podem surgir na fase de desenvolvimento do cérebro.

A técnica também pode ser usada para substituir camundongos em testes de medicamentos e tratamentos.

‘Extraordinário’

Pesquisadores já haviam conseguido produzir células cerebrais em laboratório, mas a iniciativa austríaca é a que chegou mais perto de criar um cérebro humano.

Por isso, a novidade chamou atenção entre cientistas.

“É surpreendente”, disse à BBC Paul Matthews, professor do Imperial College, em Londres. “A noção de que podemos tirar uma célula da pele e tranformá-la – ainda que seja no tamanho de uma ervilha – em algo que se assemelha a um cérebro é simplesmente extraordinária.”

Segundo ele, apesar de o minicérebro não estar se comunicando ou pensando, ele “é o tipo de ferramenta que nos ajuda a entender muitos dos principais distúrbios cerebrais”.

Pesquisadores já estão usando a descoberta para investigar uma doença chamada microcefalia, cujos portadores têm cérebros menores do que o normal.

Ao criar um minicérebro com células de pacientes de micocefalia, a equipe conseguiu estudar mudanças no desenvolvimento cerebral dessas pessoas. Percebeu, por exemplo, que as células desses pacientes se adiantavam em sua transformação em neurônios.

Questões éticas e possibilidades

Os pesquisadores em Viena não veem, no momento, nenhum dilema ético em seu trabalho, mas Knoblich afirma que não seria “desejável” fazer cérebros muito maiores do que os já desenvolvidos.

Na opinião de Zameel Cader, neurologista consultor no hospital John Radcliffe, em Oxford, a pesquisa ainda não traz problemas éticos.

“(O minicérebro) está longe de ter consciência do mundo exterior”, disse à BBC.

Para Martin Coath, da Universidade de Plymouth, “se (o minicérebro) se desenvolve de maneiras que reproduzem as do desenvolvimento do cérebro humano, o potencial para o estudo de doenças é claro. O teste de medicamentos, porém, é mais problemático. A maioria deles age em coisas como humor, percepção, controle do corpo, dor. E esse tecido que simula um cérebro não tem nenhum dessas coisas ainda”.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/08/130826_mini_cerebro_pai.shtml

Anpei propõe mudanças no marco legal para incentivo à inovação

A Anpei propõe uma série de mudanças no marco legal de incentivo à inovação do Brasil na Carta de Vitória do Espírito Santo. O documento é resultado dos três dias de discussão da XIII Conferência Anpei, realizada entre 3 e 5 de junho, em Vitória, no Espírito Santo. O documento, norteado por quatro eixos, foi apresentado e discutido no dia 25 de junho com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, em Brasília.

Entre as propostas estão pontos como a criação de mecanismos e procedimentos que facilitem o acesso a recursos para inovação e que estimulem a cooperação entre empresas em programas de inovação, o uso dos incentivos fiscais da Lei do Bem pelas empresas que declaram seus impostos pelo regime de lucro presumido e a modernização da lei que regula o uso e o acesso à biodiversidade.

“A Carta não é um mero exercício de reflexão. São propostas concretas, formuladas por pessoas que trabalham com inovação e conhecem as oportunidades de melhoria. Queremos contribuir, de fato, para o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Inovação”, destaca Carlos Calmanovici, presidente da Anpei.

No eixo do Desenvolvimento Econômico e Inovação, aponta-se para a necessidade de garantir condições mais favoráveis aos investimentos em geral, e em inovação particularmente, por meio do estímulo ao acesso a capital humano altamente qualificado e a capital financeiro. “Os instrumentos e mecanismos usados normalmente, muitas vezes não se aplicam à inovação porque essa é uma atividade que contempla o risco”, afirma Calmanovici. A Carta pede medidas que deem mais agilidade e mais facilidade de acesso, especialmente para as micros e pequenas empresas (MPEs).

“Uma empresa nascente de base tecnológica, por exemplo, tem recursos escassos e dificuldades para aportar garantias. É necessário pensar em instrumentos diferenciados para apoiá-la, instrumentos adequados ao momento de vida de cada empresa”, aponta. “As agências de fomento tendem, corretamente, a buscar máxima proteção para suas iniciativas, mas é possível pensar em outros tipos de garantias, por exemplo, usando ativos intangíveis, como patentes ou contratos de fornecimento”, exemplifica.

No eixo de Adensamento das Cadeias Produtivas, o documento sugere que as políticas públicas criem ou incentivem programas de inovação envolvendo fornecedores e clientes, contribuindo, assim, para desenvolver um ambiente que estimule a colaboração empresa-empresa nas cadeias produtivas. Além disso, devem encorajar consórcios de empresas para pesquisa pré-competitiva, estimulando a formação de redes de inovação e ampliando programas de apoio à internacionalização de empresas brasileiras.

“Estamos aperfeiçoando os instrumentos e o marco legal para a cooperação entre universidades e empresas e isso é muito importante. Agora, deve haver esforço análogo para induzir a cooperação entre empresas. Se não fortalecermos esse tipo de cooperação, perderemos competitividade frente a outros países que já fazem isso há bastante tempo”, alerta. Segundo ele, essa cooperação pode ser trabalhada, pelo menos, de duas formas: em programas de pesquisa pré-competitiva no caso de empresas concorrentes, e entre empresas complementares, estimulando a inovação nas cadeias produtivas.

“Para ter inovação sustentável e de longo prazo, com forte agregação de valor, é preciso estimular o processo de inovação ao longo de toda cadeia produtiva; só assim garantiremos nossa competitividade”, completa. “A cooperação empresa-empresa vai além da inovação aberta, é um modelo de negócios”, conclui.

O terceiro eixo da Carta trata de medidas para a Modernização dos Instrumentos de Apoio à Inovação e das Agências de Fomento: desenvolvimento de incentivos para a cooperação empresa-empresa, independentemente de porte; inclusão, como beneficiárias da Lei do Bem, das empresas que recolhem imposto de renda no regime de lucro presumido; deferimento dos dispêndios em pesquisa, desenvolvimento e inovação em anos subsequentes ao exercício dos gastos; consideração de outros indicadores financeiros, além do lucro, para cálculo dos benefícios da Lei do Bem.

Por fim, o documento trata do eixo Gestão da Propriedade Intelectual (PI). A Carta reforça a necessidade da redução o backlog do exame de patentes para prazo inferior a quatro anos, da simplificação da tramitação dos contratos de transferência de tecnologia e da revisão do marco legal para acesso e uso do patrimônio genético da biodiversidade (MP 2.186/01).

O documento na íntegra pode ser acessado no endereçohttp://www.anpei.org.br/xiiiconferencia/carta_de_vitoria_do_es.pdf.

Fonte: anpei.org.br

Does Social Status Change Brains?

Being subordinated is stressful. The process of one individual lowering the social rank of another often involves physical aggression, aggressive displays, and exclusion. In addition to the obvious possible costs of being subordinated (like getting beat up), subordinated individuals often undergo physiological changes to their hormonal systems and brains. Sounds pretty scary, doesn’t it? But what if some of those changes are beneficial in some ways?

Dominance hierarchies are a fact of life across the animal kingdom. In a social group, everyone can’t be dominant (otherwise, life would always be like an episode of Celebrity Apprentice, and what could possibly be more stressful than that?). Living in a social group is more peaceful and nutritive when a clear dominance hierarchy is established.

Establishing that hierarchy often involves a relatively short aggressive phase of jostling for position, followed by a longer more stable phase once everyone knows where they fall in the social group. Established dominance hierarchies are not always stable (they can change over time or from moment to moment) and they are not always linear (for example, Ben can be dominant over Chris, who is dominant over David, who is dominant over Ben). But they do generally help reduce conflict and the risk of physical injury overall.

Nonetheless, it can be stressful to be on the subordinate end of a dominance hierarchy and these social interactions are known to cause physiological changes. Researchers Christina Sørensen and Göran Nilsson from the University of Oslo, Cliff Summers from the University of South Dakota and Øyvind Øverli from the Norwegian University of Life Sciences investigated some of these physiological differences among isolated, dominant, and subordinate rainbow trout.

Like other salmonid fish, rainbow trout are aggressive, territorial and develop social hierarchies as juveniles. Dominant trout tend to initiate most of the aggressive acts, hog food resources, grow larger, and reproduce the most, whereas subordinate trout display less aggression, feeding, growth, and reproduction. The researchers recorded the behavior, feeding and growth rates in three groups of fish: trout housed alone, trout housed with a more subordinate trout, and trout housed with a more dominant trout. The researchers also measured cortisol (a hormone involved in stress responses), serotonin (a neurotransmitter involved in mood, the perception of food availability, and the perception of social rank, among other things) and the development of new neurons (called neurogenesis) in these same fish.

The researchers found that as expected, the dominant trout were aggressive when a pair was first placed together, but the aggression subsided after about 3 days. Also as expected, the dominant and isolated trout were bold feeders with low cortisol levels and high growth rates, whereas the subordinate trout did not feed as well, had high cortisol levels and low growth rates. Additionally, the subordinate trout had higher serotonin activity levels and less neurogenesis than the dominant or isolated trout. These results suggest that the subordination experience causes significant changes to trout brain development (Although we can’t rule out the possibility that fish with more serotonin and less neurogenesis are predisposed to be subordinate). In either case, this sounds like bad news for subordinate brains, right? Maybe it is. Or maybe the decrease in neurogenesis just reflects the decrease in overall growth rates (smaller bodies need smaller brains). Or maybe something about the development of these subordinate brains improves the chances that these individuals will survive and reproduce in their subordination.

Research on dominance in crayfish by Fadi Issa, Joanne Drummond, and Don Edwards at Georgia State University and Daniel Cattaert at the University of Bordeaux helps shed light on this third possibility. Crayfish (which are actually not fish at all, but are freshwater crustaceans that look like small lobsters) form long-lasting and stable social hierarchies. If you poke a crayfish in the side, an isolated or dominant crayfish will turn towards whatever poked it and raise its posture and claws to confront it; A subordinate crayfish will do one of two maneuvers that involves lowering the posture and backing away from whatever poked it. Furthermore, dominant and subordinate crayfish have different neuronal activity patterns in response to being poked, and part of this difference involves differences in the activity of serotonergic neurons.

It appears that the brains of dominant and subordinate individuals function differently and part of this difference involves serotonin. This may help dominant animals to continue to behave in a dominant fashion and subordinate individuals to continue to behave in a subordinate fashion, thereby preserving the peace for the whole social group.

Want to know more? Check these out:

1. Sørensen, C., Nilsson, G., Summers, C., & Øverli, �. (2012). Social stress reduces forebrain cell proliferation in rainbow trout (Oncorhynchus mykiss)Behavioural Brain Research, 227 (2), 311-318 DOI: 10.1016/j.bbr.2011.01.041

2. Issa, F., Drummond, J., Cattaert, D., & Edwards, D. (2012). Neural Circuit Reconfiguration by Social Status Journal of Neuroscience, 32 (16), 5638-5645 DOI:10.1523/JNEUROSCI.5668-11.2012

3. Yeh, S., Fricke, R., & Edwards, D. (1996). The Effect of Social Experience on Serotonergic Modulation of the Escape Circuit of Crayfish Science, 271 (5247), 366-369 DOI: 10.1126/science.271.5247.366

4. Issa, F., & Edwards, D. (2006). Ritualized Submission and the Reduction of Aggression in an Invertebrate Current Biology, 16 (22), 2217-2221 DOI:10.1016/j.cub.2006.08.065

Fonte: The Scorpion and the Frog

A Dry Pipeline for Psychiatric Drugs

Fully 1 in 5 Americans take at least one psychiatric medication. Yet when it comes to mental health, we are facing a crisis in drug innovation.

Sure, we have many antidepressants, antipsychotics, hypnotic medications and the like. But their popularity masks two serious problems.

First, each of these drug classes is filled with “me too” drugs, which are essentially just copies of one another; we have six S.S.R.I. antidepressants that essentially do the same thing, and likewise for the 10 new atypical antipsychotic drugs.

Second, the available drugs leave a lot to be desired: patients with illnesses likeschizophreniamajor depression and bipolar disorder often fail to respond adequately to these medications or cannot tolerate their side effects.

Yet even though 25 percent of Americans suffer from a diagnosable mental illness in any year, there are few signs of innovation from the major drug makers.

After a series of failed clinical trials in which novel antidepressants and antipsychotics did little or no better than placebos, the companies seem to have concluded that developing new psychiatric drugs is too risky and too expensive. This trend was obvious at the 2011 meeting of the American Society for Clinical Pharmacology and Therapeutics, where only 13 of 300 abstracts related to psychopharmacology and none related to novel drugs. Instead, they are spending most of their research dollars on illnesses like cancer, heart disease and diabetes, which have well-defined biological markers and are easier to study than mental disorders.

To understand this predicament, it helps to know how we got here.

All of our current antidepressants, antipsychotics and anti-anxiety drugs share the same molecular targets in the brain as their prototypes from the 1950s. For example, the new antipsychotic drugs block dopamine receptors in critical brain regions, just like the first antipsychotic, Thorazine, synthesized in 1950. And all of our current antidepressants increase the levels of one or more of the neurotransmitters serotonin, dopamine or norepinephrine, just like the early tricyclic antidepressants.

With rare exceptions, it is hard to think of a single truly novel psychotropic drug that has emerged in the last 30 years. True, the new psychotropic drugs are generally safer and more tolerable than older prototypes, but they are no more effective. So why has the pharmaceutical industry churned out so many copycat drugs?

The simple answer is that we don’t yet understand the fundamental cause of most psychiatric disorders, in part because the brain is uniquely difficult to study; you can’t justbiopsy the brain and analyze it. That is why scientists have had great trouble identifying new targets for psychiatric drugs.

Also, knowing how a drug works in the brain doesn’t necessarily reveal the cause of the illness. For example, just because an S.S.R.I. antidepressant increases serotonin in the brain and improves mood, that does not mean that serotonin deficiency is the cause of the disease; many depressed patients get better with medications that have no effect on serotonin.

Until very recently, scientists have relied on the same animal models to screen for potential psychotropic drugs that had been used for decades, which predictably yielded a raft of “me too” medications that shared the same mode of action as the old drugs.

Sure, this old method of drug development has produced commercially successful blockbuster drugs, like the antipsychotics Seroquel and Abilify. But soon the patents on these medicines will expire, and there is little new in the pipeline.

Perhaps, though, the pharmaceutical industry is making a mistake, running away from the brain just when things are getting interesting. Consider ketamine (known on the street as Special K), an anesthetic agent that has recently shown unusually powerful antidepressant effects.

Ketamine acts on a target in the brain where no other drug in psychiatry currently does: the NMDA receptor, which it blocks. The receptor is the site of action of glutamate, a neurotransmitter critically important in learning and memory — and, it turns out, indepression.

Several promising early studies found that depressed patients who had failed to respond to multiple antidepressants experienced rapid resolution of their symptoms within a few hours of ketamine infusion.

Unlike standard antidepressants, which typically take weeks to work, ketamine’s effect is rapid because its target, the NMDA receptor, is fast-acting. But this is a tricky biological system to modulate: too little glutamate function at this receptor can produce psychosis, and too much can kill neurons.

Whether ketamine, or a similar compound, will ultimately prove safe and effective as an antidepressant is unclear. Presently, though, the pharmaceutical industry has little taste for the long-term financial risk of discovering new psychotropic drugs.

In contrast, academic researchers, who are not beholden to shareholders, are much freer to do high-risk, high-gain experiments that can fail. Large multisite research programs like the Brain Activity Map, along with the latest gene-sequencing technology, can help identify the circuits and genes that are linked to various psychiatric disorders and find promising new targets for drugs. These discoveries, in turn, may entice the drug makers to reinvest in psychiatric drug development.

As consumers desire new treatments, they have to recognize that innovation carries risks. Drugs are approved by the Food and Drug Administration on the basis of short-term studies, so there is always limited knowledge about the long-term safety of new medications. This is particularly true for drugs that act on new targets in the brain about which relatively less is known.

But if we are to find better medical solutions for the mental illnesses that disrupt and destroy so many lives, we need to acknowledge a simple truth: there can be no innovation without financial — and medical — risk.

Dr. Richard A. Friedman is a professor of clinical psychiatry at Weill Cornell Medical College.

Fonte: nytimes.com